Arquivo do mês: outubro 2011

São cinzas, Paulo

Correndo entre marginais levando seus putrefatos excedentes, Paulo confina o stress em sua estática concentração. O filme queima, o condicionamento refluxa sua expiração, golfeja  poeira para a laringe, Paulo desiste, desce o filme, Clareia CO2 em seu pulmão, bela morada, e continua sua pausada procissão.

Chega ao cemitério das almas, senta em seu flexível trono, olha para a destinada alienadora, se entrega, deixa lhe sorver até a sua completa aridez, pois é obstinado, o exemplar consolida-se.

Esvai- se rápido o dia, a vaidade não se atrita a labuta quando se necessita dela a noite.

Paulo marcha, incita a confraternização complacente, desce só, alegra-se pois já está trajado à referência e tudo será prático. Passa o arco, pisa no piche seco e  já ouve os trovejos de vozes e carros maiores que qualquer monotonia semanal, olha para as outras almas agitadas rotineiras, e vai lograr seu objetivo. A salinidade dos dias saliva seu ego, sobeja ânsias em sua aglomerações, Paulo entra em seu templo, olha seus irmãos que os ignora com respeito, pede seu líquido social, que o entorna repetidas vezes, o que o incide a se tornar repetidas vezes.

Espera o respaldo, demora, mas vem. Levanta, reclina-se à pegar seu terno maço, se retira, destina se ao enclaustro, sobe o filme, devaneia aos passos, sente o vento correr mais rápido, chega, enegrece o fastio, despe-se, mortifica-se, esta são e cinza Paulo.

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Refluxo platônico

Sutileza, onde o escasso se venera

Encontra a morte austera

Constipando o insolúvel

Na clareza que se espera

 

Se afoito se condensa

O escárnio traz a ausência

Glorifica o enclaustro

Devaneia sua presença

 

A fluidez é tão ávida, sincera

Escorre, percorre, discorre, ocorre

Nasce, planeia, esquadra-te singela

 

Roubei-te de mim, e trovei

Emerge, triunfa o casto

Teço o retalho do manto que rasguei


Venéreo

Me vem ao reLEVO

Apara e guarda no descomPASSO

Surge ao revés do reNOVO

Tão ímpeto na imensiDÂO

 

Uni, voga o DesaPEGO

Reina, Desatina por enSEJO

Beija tão clara, líVIDA

Evoca consumada, conSIGNA

 

(…)Reverbera, perdura, refluxa

Sejo teu suntoso peadouro urdido

E morro no emposto murmurado


Inferência

Sonho a flor de teu quintal

Banhado a luz de teu passar

Deveras a desejar

O doce néctar do seu tocar

 

Não invejas ao te ver

Só desejas a ter

O perfume tão lívido

Que exalas de teu ser

 

Se me perco em teu terno olhar

Nego me a tua voluptuosa inocência

Imerso me a súplica de ter subsistência

 

Vinde a mim, vende a mim, vem de mim

 

Das lembranças tão tênues

Tão vívidas, tenaz

Tua clara e fina silhueta me desfaz

 

Vence comigo, vem em ser comigo, vem ser comigo

 

Qual descaso a te açoitar

Não releva me à divagar?

 

Concedo-me, quão cedo te és?

Quão doce és ti.