Arquivo do mês: março 2012

Ventura embevecida

A alta dose de lirismo que recebi tão sincera e espelhada, não havia de contrapor a maneira que propunha, tornar me ébrio os sentidos. As referências lúridas de tão claras almas deu a fugaz solitude claustrofóbica do quarto de hotel que estou a sua real menção. Refaço e me distraio pelo fluxo que o ensejo se faz. O tempo tão desfocado e efêmero de outrora jaz agora robusto e intimidador, não o culpo, ele é regente de espaço construído por modelo fora de seu corpo. Ele sempre será a vítima de seu sequestro.

Enquanto espero a abertura dos caminhos dos viajantes do proletariado, ouço a orquestrada sinfonia de murmúrios de paredes vizinhas tão enigmáticas quanto o negrume dos rostos na rua que olho pela janela abaixo, em que minutos atrás foram ainda mais pela aproximação.

O café se faz presente ao invés do álcool. Sei de quanto os dois conseguem regozijar ao ponto de acalorar o ânimo e embair o sono, mas recebi a dose suficiente de arte que inebriou minha mente para poder suportar a do álcool, que ainda insiste em ter a companhia para fazer valer completamente o seu efeito.

E foi se horas e já é dia claro. A movimentação dos moradores de rua de pontos onde é passagem, indica o motivo do enclaustro de seu ostracismo e a aurora que inicia. Eu por hora pego meu último café, extasiado e pulsante ainda, passo por mim e termino uma noite bela.

Quando se remete a resistência
O passo segue sozinho
A verdade se concentra em revelar a frivolidade
A veemência do descaso
A leitura desalinhada reverbera em círculos
E transforma o ensejo o teu âmago perdido