Arquivo da categoria: Poemas

O Fim

Anseio,  destoando sem cor em um espaço de couraça alegórica
Letárgico, as cores vibram e se perdem, pois é calha do que é onírico
(…) é amigo…  o estorvo sempre se consagra

Um quiproquó em prelúdio expirado
Inspira, respira, enche os olhos de quem outrora seguiu o sagrado
Profanar o empírico jamais, no mais, seja menos

É pena, mas voa e volta
Pra ser entoado em júbilos
E baldar à baldes
Quem prostra em sua emposta

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Sapato

Passeando na poça, passo que o impermeável permeia empossado
Luto paro o cadafalso seguir isolado
desfaço o caso, descalço, pra ser inato
Inapto, escolhem os arautos dos exatos

Mas onde a chama, posto do que é plana a sede de flanar
Inflama e clama por fome de enredar
Torna pleno o entorno prolixo
O lixo seguido sem guizo pra guiar

Sento e sinto a nobreza da calçada
Calcada a levar a elevada premissa de gente omissa
Que insiste em te desprezar

Tal qual o ornejo que o ensejo se denota
Planejo e vejo o voltar que me invoca
Amarro o caso que calço por simples ato de sonhar


Chuva

Passa, seca, ao passo que se esvai

Entre os impasses se consolida

A retilíneidade luta contra sí em seu declínio

Soberbamente, varia a praxe

 

É finita presa ao toque  de sua lápide incolor

Abraça o colo que não toca no leito da calmaria

Soluto na resignação  da salubridade

Encontra o deleite fúnebre de seu espelho

 

A soada plácida, torna-te o trovejo onde forram o teu berço

Espero-te com esmero

Por sede

De minh’alma


Refluxo platônico

Sutileza, onde o escasso se venera

Encontra a morte austera

Constipando o insolúvel

Na clareza que se espera

 

Se afoito se condensa

O escárnio traz a ausência

Glorifica o enclaustro

Devaneia sua presença

 

A fluidez é tão ávida, sincera

Escorre, percorre, discorre, ocorre

Nasce, planeia, esquadra-te singela

 

Roubei-te de mim, e trovei

Emerge, triunfa o casto

Teço o retalho do manto que rasguei


Venéreo

Me vem ao reLEVO

Apara e guarda no descomPASSO

Surge ao revés do reNOVO

Tão ímpeto na imensiDÂO

 

Uni, voga o DesaPEGO

Reina, Desatina por enSEJO

Beija tão clara, líVIDA

Evoca consumada, conSIGNA

 

(…)Reverbera, perdura, refluxa

Sejo teu suntoso peadouro urdido

E morro no emposto murmurado


Inferência

Sonho a flor de teu quintal

Banhado a luz de teu passar

Deveras a desejar

O doce néctar do seu tocar

 

Não invejas ao te ver

Só desejas a ter

O perfume tão lívido

Que exalas de teu ser

 

Se me perco em teu terno olhar

Nego me a tua voluptuosa inocência

Imerso me a súplica de ter subsistência

 

Vinde a mim, vende a mim, vem de mim

 

Das lembranças tão tênues

Tão vívidas, tenaz

Tua clara e fina silhueta me desfaz

 

Vence comigo, vem em ser comigo, vem ser comigo

 

Qual descaso a te açoitar

Não releva me à divagar?

 

Concedo-me, quão cedo te és?

Quão doce és ti.


Ânsia

Dar-me-ia para ter com o teu
No soo do seu sonho
No meu mísero melhor

Ser seiva somada a sua

Tanger tocando o teu
Voar vivendo você
Tornar trovejos à tua